« Tinha apenas essa certeza.
Agarrava-se a ela como nos agarramos a um fio.
E esse fio nunca cedeu. »
Jacqueline deu à luz a 28 de abril de 1978 em Gap. A avó Solange segurou a criança nos braços. Samuel Ludovic. Um nome hebraico, sem o saber ainda.
Em 1986, no tribunal de Nîmes, Samuel Ludovic tornou-se Samir Aziz. Os antigos nomes estão ainda lá no registo de família — riscados, com o carimbo do tribunal. Dois nomes apagados. Mas nada é verdadeiramente apagado.
Não formulava nada. Não fazia discursos sobre a força, a coragem, a dignidade. Simplesmente vivia. E ele observava.
Tinha-lhe ensinado a maravilhar-se. Diante da neve à janela de Nîmes, gritava como uma criança. Tinha vinte e três anos. Já tinha vivido várias vidas. E a neve arrancava-lhe aquela alegria pura, sem cálculo, sem reservas.
Tinha-lhe ensinado a manter-se de pé. Não dizendo. Fazendo, cada dia, diante dele.